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13/07/2007 09:05
A hora do cansaço
Bom, eu sei que todo mundo hoje tá empolgadíssimo com a abertura do PAN.
Talvez, a maioria dos blogs falarão sobre isso hoje...
Mas eu, vou ser diferente. Até porque, "enquanto os homens exercem seus podres poderes", um país pára pra se enfeitiçar com a magia do esporte.
Não que isso seja ruim, não é. Nosso povo é muito sofrido, e essa é uma maneira de nos alegrarmos (tá parecendo a política do "pão e circo"), mas ainda acho que o momento político que vivemos vai ser esquecido, ou pelo menos, aliviado, por causa do PAN.
Bem, então, vou deixar aqui, um trecho de Carlos Drummond de Andrade, que não tem nada haver com o PAN e não tem nada haver com o momento político(Pelo menos, não é pra ter nada haver...). Só pra aparentar neutralidade(Aparentar!).
A hora do cansaço
"As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra(maior)realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro intinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto acre
na boca, namente, sei lá, talvez no ar."
(ANDRADE, Carlos Drummond de. A hora do cansaço. In: Corpo - novos poemas. Rio de Janeiro, Record, 1984. p. 39-40.)
enviada por Elaine
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